quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O SUSTO DAS BRUXAS

Como habitualmente fazem, as bruxas reuniram-se na floresta para celebrarem o seu dia. Chegaram com grande espalhafato nas suas vassouras de farripas amarelas, vestiram os seus melhores e mais coçados fatos pretos, esfarraparam bem as suas longas capas, deram lustro à fivela dos chapéus bicudos. No meio, um enorme caldeirão fervilhava com água borbulhante uma poção mágica especial. Velhas bruxas que há muito não se viam cumprimentavam-se roçando os seus narizes pontiagudos, trocavam receitas mágicas, contavam os últimos feitiços feitos, as operações de fealdade que tinham feito à cara para ficarem mais horríveis, a última moda em verrugas postiças, pentes que despenteam os cabelos. Ensaivam os últimos gritos da moda enquanto comparavam as suas longas unhas pretas onde tinham pintado aranhas e escaravelhos, comparavam teias de aranha tecidas em ponto cruz. De repente ecoou por toda a floresta um gemido terrível que lhes fez vibrar. Logo de seguida urros e rugidos misturaram-se num concerto selvagem, ao mesmo tempo que começaram a aparecer umas estranhas personagens que lhes fizeram tremer dos pés à cabeça. Eram enormes, com um aspecto sinistro todos envoltos de branco e com formas muito esquisitas. As bruxas assustaram-se de tal maneira que pegaram nas suas vassouras e voaram para bem longe dali. Foi então que o leão, o tigre, o hipopótamo, o rinoceronte, o jacaré e todos os restantes animais despiram as suas máscaras de fantasmas e iniciaram o baile da floresta do dia das bruxas.

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