sexta-feira, 23 de março de 2012

PASSEIO HIGIÉNICO


PASSEIO HIGIÉNICO
Na pausa do almoço é prática corrente sermos avisados pelos colegas de que vão ao seu “passeio higiénico”.
Tal sentença sempre me provocou um sentimento de incompreensão incomodativo, levando-me a questionar das reais intenções das pessoas que vão dar o seu “passeio higiénico”.
Será que durante o passeio, ou quiçá no seu término, são brindadas com um grande banho repleto de flores de laranjeira, alfazema, eucalipto, verbena que lhes deixam com aquele toque de frescura higienicamente perfumada que faz com que qualquer pupila olfactiva desate a pulular de desejo incontido sendo literalmente sugadas por narizes gulosos de colegas que desnorteados face a tais auras perfumadas perdem o norte, o sul e se calhar mais qualquer coisita que bem lá no seu intimo tentavam afastar da cobiça alheia?
Será que durante o dito “passeio higiénico” se cruzam com uma espécie de alienígena que totalmente coberto por um fato espacial prata brilhante ofuscante de viseira translúcida e pulverizador em riste lhes borrifa com um desinfectante com um cheiro tão activo capaz de exterminar todas as gerações idas e vindouras de fungos, bactéria ou germes?
Ou será suficiente uma solução germicida de espectro reduzido?
Ou será que sou a única que desconheço a existência de um passeio público, privado ou da fama formado por pedras não de calcário ou de basalto mas por pedras sanitárias intercaladas com as sempre populares bolinhas de naftalina calcetadas por finos martelinhos esterilizados em lixívia perfumada?
A dúvida persiste na minha mente conturbada e acompanhar-me-á provavelmente ao longo dos meus perfumados anos.
Mas o que é certo, é que quando regressam do seu “passeio higiénico” com as suas faces ligeiramente ruborizadas apresentam ar de satisfação incontestável do dever prazenteiramente cumprido.
Será que também devia começar a higienizar-me com uns passeiozitos?

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